História de Cordisburgo

 

Foram os bandeirantes os desbravadores dos sertões da região calcária das Sete Lagoas onde está localizado o Município de Cordisburgo. Posteriormente, pequenos fazendeiros se apossaram de terras hoje pertencentes ao território municipal. Mas foi o Padre João de Santo Antônio, em meados de 1883, chegando na região conhecida como Sesmaria Empoeiras (algumas fontes citam o nome Arraial do Saco dos Cochos), que no cumprimento de seus deveres de Pastor, e no afã de bem e religiosamente cumprir os seus deveres, deixou o Colégio Macaúbas, no Município de Santa Luzia do Rio das Velhas, atualmente Santa Luzia, empreendendo viagem ao longo do sertão mineiro devido às condições favoráveis, deliberou fundar ali uma povoação.

Aportando à região, onde hoje se acha a cidade de Cordisburgo, o Padre João de Santo Antônio ficou seduzido pelo belíssimo panorama que lhe foi descortinado das montanhas, de onde se avistavam enormes campinas verdejantes e largos lençóis de relva, clima agradabilíssimo e pela pureza das águas de seus Ribeirões, o Padre logo passou a denominar a região de ” Vista alegre”.

Todavia, um outro fator, bem mais poderoso, fê-lo resolver a fixar, definitivamente, sua residência naquelas paragens – a honradez dos homens que ali habitavam, jamais fugindo à palavra empenhada.

E não foi difícil a concretização de tudo o que lhe foi possível idealizar durante a sua permanência naquela localidade. Padre João necessitava de uma área para fundar uma povoação e, aquela que escolhera estava em litígio. Foi aí, que resolveu apelar para Dona Policena Mascarenhas, senhora de grandes posses, que enviou seu filho Bernardo Mascarenhas, para arrematar aquela área pretendida, de 40 alqueires de terras, que hoje representa, também, o perímetro urbano da Cidade, que estavam em litígio, prestes a cair em mãos de autoridades, transferindo-as, em escritura pública, ao sacerdote. Este, em 21 de agosto 1883, iniciava a formação do Arraial de Vista Alegre, com a edificação da Capela dedicada ao Patriarca São José, cujo levantamento dos esteios teve início no dia 14 de fevereiro de 1884, e sua conclusão a 23 de junho desde mesmo ano.

Aos 14 de setembro de 1884, acompanhado do Padre Pedro Corrêa Ferreira Rabelo, e de habitantes das redondezas de Vista Alegre, foi conduzida de Taboleiro Grande (hoje Município de Paraopeba), a imagem do Patriarca São José para a nova povoação.

Na mesma época, o Padre João mandou vir da França, uma imagem do Sacratíssimo Coração de Jesus. Quando chegou, uma procissão foi buscá la em Gongo-Sôco e assim nascia a idéia de construir um Templo para acolhe-la.
Cresceu o lugarejo e em 27-04-1885, dava-se início à construção da Igreja do Sagrado Coração de Jesus.
Aos 12 de maio de 1894, há quem diga que foi dia 20, com o término do douramento da Igreja do Sacratíssimo Coração de Jesus, deu-se por concluída a construção desse templo.

Nesse dia, houve uma benção na igreja e o Padre João trouxe, em procissão, a Imagem do Padroeiro, que tinha vindo de Paris e aguardava, na Capela do Patriarca São José, o término da construção de seu Templo.

Em 18 de outubro de 1895, o Padre João doou à Diocese de Diamantina uma área de terra, compreendida a Povoação de Cordisburgo da Vista Alegre e seus arredores.

Sentindo se alquebrado, recolheu-se novamente à Comunidade de Macaúbas, fazendo doar, à Igreja Sagrado Coração de Jesus, tudo aquilo que pôde adquirir no decurso de 12 meses. Alí faleceu, em 15-09-1913, como um Santo, Padre João de Santo Antônio, a quem Cordisburgo rende um culto de respeito e gratidão.

Devido a precária condição física, a matriz foi demolida, e sua reconstrução foi finalizada em 24 de junho de 1960.
A evolução de Vista Alegre foi se acentuando sendo em 1890, o Arraial de Coração de Jesus da Vista Alegre, elevado a distrito, mudando na ocasião, para Cordisburgo da Vista Alegre. Em 1923 o nome foi mudado para Cordisburgo.
O topônimo, Cordisburgo – Cordis = do coração + Burgo = aldeia, cidade – cidade do coração, foi homenagem ao Padroeiro da comunidade, Sagrado Coração de Jesus.